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Dermatite ocre: o que é, causas e como tratar as manchas

Em resumo: dermatite ocre é a mancha acastanhada que aparece no tornozelo e na canela quando as veias das pernas não funcionam bem. O sangue represado sob pressão deixa escapar glóbulos vermelhos para a pele, e o ferro deles (hemossiderina) fica depositado como pigmento. A mancha é um sinal de doença venosa em atividade, não um problema só estético: tratar a veia com refluxo interrompe a progressão, e o laser pode clarear parte do pigmento depois.

"Doutor, essa mancha na perna sai?" é uma das perguntas que mais escuto no consultório. A resposta honesta depende de três coisas: há quanto tempo a mancha existe, se a causa venosa já foi tratada e o quanto de pigmento está depositado. Neste guia explico, como cirurgião vascular, o que é a dermatite ocre, por que ela aparece, como diferenciá-la de outras manchas escuras na perna, o que de fato clareia e o que não clareia.

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Manchas nos pés e tornozelos não são só "sinais da idade" — o Dr. Victor Hugo explica.

O que é dermatite ocre

Dermatite ocre é a hiperpigmentação da pele causada pelo depósito de hemossiderina, o pigmento de ferro que sobra quando glóbulos vermelhos extravasados são degradados no tecido. O nome vem da cor: "ocre" é o tom marrom-alaranjado, semelhante à ferrugem, que a pele adquire. Também é chamada de dermatite de estase, dermatite venosa ou pigmentação por hemossiderina.

Ela aparece na parte baixa da perna, com predomínio na face interna do tornozelo e na canela, começa como pontos ou pequenas áreas acastanhadas e se espalha devagar, ao longo de meses ou anos, até formar placas que podem cobrir toda a região. Na classificação CEAP (a escala internacional da doença venosa crônica, atualizada em 2020), a pigmentação corresponde ao estágio C4a: as veias já estão provocando alterações na pele, mas ainda não há endurecimento (C4b) nem úlcera (C6). É um ponto de virada: a partir daqui, a doença deixa de ser um incômodo e passa a danificar tecido.

Por que aparece

A raiz do problema é a hipertensão venosa. As veias das pernas têm válvulas que impedem o sangue de voltar para baixo quando estamos em pé. Quando essas válvulas falham, seja na safena, em veias perfurantes ou nas veias profundas após uma trombose, o sangue reflui e fica represado na parte mais baixa da perna, onde a pressão é maior.

Sob essa pressão crônica, os capilares da pele se dilatam e ficam permeáveis. Escapam líquido (que causa o inchaço), proteínas e glóbulos vermelhos. Macrófagos, as células de limpeza do tecido, digerem esses glóbulos e acumulam o ferro na forma de hemossiderina, um pigmento que a pele não consegue eliminar com eficiência. O mesmo processo inflamatório libera substâncias que degradam colágeno e elastina, o que explica por que a pele da região fica mais fina, seca e frágil com o tempo.

Os fatores que aumentam o risco são os mesmos da insuficiência venosa: histórico familiar de varizes, gestações, obesidade, longos períodos em pé ou sentado, idade, trombose venosa prévia e varizes não tratadas. Uma flebite ou um trauma local também podem deixar hemossiderina, mas de forma localizada e com história clara.

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Varizes e a perda do colágeno: como a doença venosa muda a pele.

Dermatite ocre ou outras manchas escuras na perna

Nem toda mancha escura na perna é dermatite ocre. A tabela abaixo reúne as causas que mais confundem e os sinais que ajudam a separá-las. A confirmação vem do exame clínico e, quando há suspeita venosa, do ultrassom Doppler.

CausaComo é a manchaOndeO que acompanha
Dermatite ocre (venosa)Marrom-ferrugem, difusa, escurece devagarTornozelo (face interna) e canelaInchaço no fim do dia, peso, varizes, coceira
Púrpura pigmentar (Schamberg)Pontinhos cor de pimenta-caiena que se agrupam em placasCanela, muitas vezes nas duas pernasSem inchaço nem varizes; pouca ou nenhuma coceira
Hiperpigmentação pós-inflamatóriaMancha delimitada, no formato da lesão anteriorOnde houve picada, foliculite, depilação, eczema ou flebiteHistória clara; tende a clarear em meses
Melasma de perna e manchas solaresManchas acastanhadas, simétricas, bordas irregularesÁreas expostas ao sol, canela e coxaPioram com sol; sem inchaço
Líquen plano / líquen simplesPápulas violáceas ou placas espessas e escurecidasCanela, tornozelo, punhosCoceira intensa; pele engrossada pelo ato de coçar
Insuficiência arterialPele pálida ou arroxeada, fina e brilhantePés e dedosPé frio, queda de pelos, dor ao caminhar, pulsos fracos
Diabetes (dermopatia / necrobiose lipoídica)Manchas ovais, acastanhadas e levemente deprimidas; ou placas amareladas com centro finoCanelaDiabetes conhecido ou glicemia alterada

Um teste simples em casa: deite com as pernas elevadas por 20 minutos. Na dermatite ocre, o inchaço diminui e a mancha permanece. Se a mancha apareceu rápido, depois de um evento específico, ou se vem com descamação intensa, a causa provavelmente é outra e a avaliação pode ser dermatológica.

Sintomas associados

A dermatite ocre raramente vem sozinha. Os sinais que costumam acompanhar, e que confirmam a origem venosa, são:

  • Coceira e eczema de estase: a pele da região fica vermelha, descamativa e coça, às vezes com pequenas fissuras. É o eczema venoso, que aparece pela inflamação crônica e pela pele seca. Coçar piora o pigmento e abre porta para infecção.
  • Inchaço (edema) que aumenta ao longo do dia e melhora ao deitar, com marca da meia ou do sapato.
  • Peso, cansaço e cãibras nas pernas, especialmente no fim do dia ou em dias quentes.
  • Vasinhos em leque no tornozelo (corona flebectática), varizes visíveis ou histórico de varizes na família.
  • Endurecimento da pele (lipodermatoesclerose): quando a inflamação avança, a gordura sob a pele fibrosa e a perna fica rígida e afilada no tornozelo, com aspecto de "garrafa invertida". É o estágio C4b, um passo antes da úlcera. Veja lipodermatoesclerose.
  • Pequenas feridas que demoram a fechar, sinal de que a pele já está no limite da sua capacidade de reparo.

Dermatite ocre tem cura? O que clareia e o que não clareia

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A "ferrugem" na pele: por que o sangue parado mancha e o que acontece com a marca depois do tratamento.

É a pergunta mais importante, e merece uma resposta em duas partes.

A progressão tem controle. Quando a veia com refluxo é fechada e a pressão venosa cai, a pele para de receber pigmento novo. Isso é o que evita a evolução para lipodermatoesclerose e úlcera venosa. Nesse sentido, a causa da dermatite ocre é tratável.

O pigmento já depositado é mais teimoso. A hemossiderina fica na derme, uma camada mais profunda do que a melanina das manchas de sol. Depois que a pressão cai, parte do pigmento é lentamente reabsorvida, e manchas recentes tendem a clarear de forma perceptível. Manchas antigas, extensas e com fibrose associada costumam deixar marca residual. O que a evidência e a prática mostram:

  • Tratar a causa venosa (endolaser, espuma, compressão) é o que mais muda o resultado a longo prazo. Sem isso, qualquer clareamento é temporário.
  • Laser para hemossiderina: na Clínica VHG usamos o laser ACROMA, que fragmenta o pigmento de ferro na derme para que o organismo o elimine. Costuma exigir várias sessões e responde melhor em manchas com menos tempo de evolução. O resultado varia de pessoa para pessoa.
  • Cremes clareadores (hidroquinona, ácidos, vitamina C) atuam sobre a melanina e têm efeito limitado na hemossiderina. Podem ajudar no componente de hiperpigmentação pós-inflamatória que às vezes se soma, mas não resolvem a dermatite ocre sozinhos.
  • Peelings e microagulhamento têm papel coadjuvante em alguns casos, sempre depois de controlar a doença venosa e com pele íntegra.
  • Protetor solar não clareia, mas evita que a mancha escureça ainda mais pela soma de melanina.

Tratamento

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Mancha escura na perna com refluxo da safena: tratada a veia, a região já melhorou; agora, o refinamento. Resultados variam.

A ordem importa. Clarear a pele sem tratar a veia é enxugar gelo. A sequência que uso no consultório é:

  1. Diagnóstico com Doppler. O exame, feito na própria consulta, mostra onde está o refluxo: safena magna, safena parva, perfurantes ou veias profundas. Sem esse mapa não há como planejar.
  2. Fechar a veia com refluxo. Para a safena, o endolaser é o padrão (anestesia local, sem internação); para colaterais e perfurantes, a espuma densa guiada por ultrassom. A diretriz ESVS 2022 recomenda tratar o refluxo superficial em pacientes com alterações de pele (C4 em diante), justamente para evitar a úlcera.
  3. Controlar o inchaço. Meia de compressão graduada, elevação das pernas e atividade física. A compressão reduz o extravasamento e a inflamação, o que ajuda a pele a se recuperar.
  4. Tratar o eczema, se houver. Hidratante sem perfume diariamente e corticoide tópico por curto período, sob prescrição, para controlar a coceira e a descamação.
  5. Só então tratar a mancha. Laser ACROMA para a hemossiderina, em sessões espaçadas, e laser transdérmico para os vasinhos da região. O passo a passo completo está em como tirar manchas das pernas.

Todo esse cuidado é integrado no plano de cuidado do Modelo VHG™: circulação primeiro, depois pele. Os resultados variam conforme o tempo de evolução e a resposta individual.

Quando procurar o cirurgião vascular

Sempre que a mancha for no tornozelo ou na canela e vier com inchaço, peso, coceira ou veias visíveis. Procure com mais urgência se a pele começou a endurecer, se surgiu uma ferida que não fecha em duas semanas, ou se a região ficou vermelha, quente e dolorida (possível erisipela, que precisa de antibiótico). Nesses casos, esperar custa pele.

Prevenção

  • Trate as varizes antes que a pele sofra. A dermatite ocre é evitável quando o refluxo é corrigido no estágio C2 ou C3, antes da pigmentação. Veja as opções em tratamento de varizes em Fortaleza.
  • Use meia de compressão se tem varizes, trabalha muito tempo em pé ou sentado, ou está grávida, conforme orientação médica.
  • Movimente a panturrilha: caminhadas diárias e pausas para andar a cada hora de trabalho sentado.
  • Eleve as pernas por 20 a 30 minutos no fim do dia.
  • Mantenha o peso saudável e evite ganho rápido de peso, que aumenta a pressão venosa.
  • Hidrate a pele e não coce. Pele íntegra é a melhor barreira contra eczema, infecção e úlcera.
  • Faça acompanhamento periódico. A doença venosa tem componente genético; veias novas podem adoecer e devem ser tratadas cedo.

Leia também: Como tirar manchas das pernas · Lipodermatoesclerose · Úlcera venosa · Veia safena magna

Perguntas frequentes

Dermatite ocre o que é?

É a mancha acastanhada que aparece no tornozelo e na canela pelo depósito de hemossiderina, o ferro dos glóbulos vermelhos que extravasam dos capilares quando a pressão dentro das veias está alta. É um sinal de insuficiência venosa crônica, classificado como C4a na escala CEAP.

Dermatite ocre tem cura?

A causa (o refluxo venoso) é tratável, e isso interrompe a progressão da mancha e protege a pele contra a úlcera. O pigmento já depositado pode clarear parcialmente com o tempo e com laser específico para hemossiderina, mas manchas antigas costumam deixar marca residual. Por isso tratar cedo faz diferença.

Qual pomada para dermatite ocre?

Não existe pomada que remova a hemossiderina. Cremes clareadores agem sobre a melanina e têm efeito limitado nessa mancha. O que se prescreve é hidratante diário para a pele e, quando há eczema com coceira, corticoide tópico por curto período. O clareamento real depende de tratar a veia e, depois, do laser.

Dermatite ocre é grave?

Não é uma emergência, mas é um sinal de alerta: indica que a doença venosa já está danificando a pele. Sem tratamento, pode evoluir para endurecimento da pele (lipodermatoesclerose) e úlcera venosa. Avaliar com um cirurgião vascular nessa fase evita as complicações.

Como tirar manchas escuras da perna?

Primeiro é preciso saber a causa. Se for dermatite ocre, a sequência é: Doppler para localizar o refluxo, fechar a veia doente (endolaser ou espuma), controlar o inchaço com meia de compressão e, só então, tratar o pigmento com laser para hemossiderina. Manchas de outras origens, como pós-inflamatórias ou solares, têm tratamentos próprios.

Referências

  1. Lurie F et al. The 2020 update of the CEAP classification system and reporting standards. J Vasc Surg Venous Lymphat Disord. 2020;8(3):342-352.
  2. De Maeseneer MG et al. European Society for Vascular Surgery (ESVS) 2022 Clinical Practice Guidelines on the Management of Chronic Venous Disease of the Lower Limbs. Eur J Vasc Endovasc Surg. 2022;63(2):184-267.
  3. Gohel MS et al. A Randomized Trial of Early Endovenous Ablation in Venous Ulceration (EVRA). N Engl J Med. 2018;378(22):2105-2114.
  4. Caggiati A, Rosi C, Franceschini M, Innocenzi D. The nature of skin pigmentations in chronic venous insufficiency: a preliminary report. Eur J Vasc Endovasc Surg. 2008;35(1):111-118.
  5. Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular (SBACV). Diretrizes e orientações ao paciente sobre doença venosa crônica. sbacv.org.br

Manchas escuras no tornozelo? Descubra a causa

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